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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Persian, English, Sexo, Dinheiro
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Caixa Preta
Álbum do dia: Radio Bemba Sound System
Manu Chao
"Radio Bemba Sound System" (2002)

Poucas bandas conseguiram um caldo tão bom na mistura sonora quanto o Mano Negra. A trupe francesa incendiou a Europa entre o fim dos anos 80 e a metade da década passada, produzindo música que passava por rockabilly, ska, ritmos latinos, punk e até música árabe. Os caras - ainda totalmente desconhecidos - passaram por aqui em 1992 em ocasião da conferência sobre questões ambientais, ECO. Assisti a banda ao vivo no então recente boulevard do Anhangabaú e, depois, num lotadaço Aeroanta em show extra. No Rio, o Mano Negra fez até uma jam com seu famoso admirador Jello Biafra, que estava no Brasil para o lançamento do livro "Barulho", de André Barcisnki. Junto com o ex-Dead Kennedys, levaram "I Fought the Law", música imortalizada pelo Clash, que era uma das maiores influências do Mano Negra.
Quando a banda se separou após o excelente disco "Casa Babylon", de 1994, seu vocalista e líder criativo Manu Chao embarcou numa bem sucedida carreira solo. O primeiro álbum, "Clandestino", mostra de forma nua e poética sua preocupação com o estado das coisas na América Latina e, em especial, a situação dos imigrantes ilegais no Primeiro Mundo. O engajamento político de Manu e sua cruzada contra o mundo globalizado tem como trilha sonora vários ritmos nativos da mesma Latino-America e uma levada acústica introspectiva e tranquila. A fúria do Mano Negra deu lugar a uma espécie de lamento latino que arrepiou até aqueles pouco ligados na bandeira humanista carregada por Manu.
Até alguns meses após o seu lançamento, "Clandestino" não era encontrado em nenhuma loja no Brasil. Foi um dos discos que mais penei para adquirir - acabei comprando através de um site chamado Music Boulevard - e valeu cada centavo. Mas o mundo dá voltas e esse mesmo álbum acabaria sendo lançado no Brasil e elevando seu criador à categoria de artista cult por aqui. Manu, estranhamente, virou queridinho de uma certa geração brasileira de mauricinhos que idolatram a tríade maconha-surf-reggae e, muito provavelmente, gostam do cantor francês pelos motivos errados...
"Proxima Estácion: Esperanza", o trabalho seguinte, só ratificou a importância da música de Manu Chao para o mundo cinzento e globalizado. É uma voz que precisa ser ouvida.
O mais recente trabalho do francês é o disco ao vivo "Radio Bemba Sound System" que a Virgin lançou por aqui por sinistros 40 reais e algumas lojas virtuais agora estão vendendo no saldão por até 15 pratas. Se vocé estava evitando o CD pelo preço salgado ou se não conhece lá muito bem o trabalho de Manu, não pense duas vezes antes de adquirir essa preciosidade! Álbuns ao vivo muitas vezes são enfadonhos e funcionam como uma forma de as gravadoras te venderem as mesmas músicas uma segunda vez. Não é o caso aqui. Primeiro porque Manu é um artista de estrada, que gira o mundo fazendo shows -- inclusive alguns solidários a movimentos como o MST e a Frente de Libertação Nacional Zapatista. O palco, esse sim, é seu verdadeiro habitat, muito mais do que qualquer estúdio de gravação. Além disso, o primeiro CD ao vivo de sua carreira solo tem nada menos que 29 faixas (a maioria delas com arranjos modificados), das quais 5 canções foram retiradas do repertório precioso do Mano Negra!
"Radio Bemba Sound System" tem uma furiosa levada de ska em vários momentos, algumas poucas seqüências mais introspectivas e, no geral, um clima de festa embalado por um naipe de metais de ferver o sangue. Quem tem saudades de "In The Hell of Patchinko", um cultuado "live album" do Mano Negra, vai se esbaldar em passagens incendiárias como a dobradinha "Mala Vida"/"Radio Bemba", executadas com energia e fervor punks.
Um ábum que vai bem com tequila e que serve, mais do que qualquer coisa, para espantar os maus espíritos nesse mundo cada vez mais estranho.
Escrito por Mr Eddy às 15h01
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